Porque conhecer aspectos socioculturais para trabalhar em Saúde Mental?



Sabemos, impulsionado pelos estudos que se intensificaram na década 60, que a sociedade e a cultura, influenciam o comportamento humano e que seu entendimento poderia nos ajudar, tanto a diagnosticar como a recuperar o doente. Muito mais do que isto, sabemos que, se considerarmos os aspectos socioculturais de uma cidade


poderemos também investir na prevenção da saúde. O grande desafio nestes últimos anos foi a técnica que considere estes aspectos, para o trabalho sistemático, nesta dimensão pelos profissionais envolv


idos com a saúde mental. Com este objetivo, de trazer uma vasta e consagrada experiência num curso de 30 horas é que a CESUSC lança no nosso país um curso nacional recorrendo a experiência prática de dois psiquiatras, membros da Associação Brasileira de Psiquiatria Cultural.



Os doutores Marcos de Noronha de Florianópolis e Ottorino Bonvini, italiano radicado em Fortaleza, trabalham nesta dimensão em suas cidades e perguntam: Quer trabalhar com psicoterapia de grupo, presencial ou à distância, neste momento de pandemia? Qual técnica poderia contemplar objetivamente e de forma eficaz esta dimensão psicoterápica.





Será uma capacitação à distância para profissionais em Saúde Mental, em caráter emergencial para assistência psiquiátrica e psicoterápica com possibilidade de evoluir para uma “mentoria” permanente. Esta iniciativa terá apoio dos serviços de Terapia Social de Marcos de Noronha e sua equipe em Florianópolis, inicialmente através desse Curso de Extensão, previsto para dois módulos de 15h e à distância – Videoconferências - , podendo evoluir para um programa permanente de apoio. O curso apresenta as técnicas para intervenções em grupos de terapias que valorizam o conhecimento de fatores socioculturais relacionados com a doença mental, na sua génese e recuperação e discute as principais referências teóricas.



Contaremos com a revisão dos aspectos básicos das psicoterapias de grupo, e especificamente, estimularemos ao uso tanto de uma Terapia Social como uma Terapia Comunitária. Defendendo uma abordagem ampla dos fenômenos, considerando os conhecimentos de disciplinas fronteiriças, com Antropologia, sociologia, psicologia, para reconciliação com os novos conhecimentos biológicos, os professores apresentarão sua prática consagrada nesta modalidade. Considerando também, que estes fatores, socioculturais, influenciam desde a plasticidade e frequência das doenças mentais, como reconciliar o olhar da antropologia para a saúde e nossos conhecimentos psicológicos?


O curso permite a utilização sistemática dos recursos populares ou os oferecidos pela rede pública e promove uma dinâmica onde não prevalece um diálogo caracterizado pelo exercício do poder de um indivíduo sobre outro, mas por um espaço de ofertas de propostas variadas e possibilidades de identificações que possam contribuir com a recuperação dos participantes. O curso respeita também o modelo biomédico e os avanços da neurociência. Focado na prática, tanto em ambientes públicos, como privados, não somente visa a eficácia, mas o acesso do usuário à assistência e prevenção da doença mental. Pretendemos ainda, considerando as mudanças acentuadas na sociedade com o desenvolvimento da informática, criar soluções para os problemas psicológicos e sociais, cujos sistemas de adaptações da estrutura econômica vigente não puderam resolver.


As ferramentas da Etnopsiquiatria são apropriadas para serem utilizadas, sobretudo, nas populações desenraizadas, decorrentes do deslocamento migratório, seja esta uma migração interna, no próprio país, como por migrações de povos com culturas e valores diverso. O curso foca nos vínculos, na relação, no enxergar o outro, nas condições de respeito e aceitação da diversidade. Definiremos melhor os conceitos da Psiquiatria Transcultural, seu campo de atuação, as perspectivas para uma sociedade em constante transformação, e o que deve saber o trabalhador de saúde mental para lidar com seus clientes no mundo informatizado. Quais ferramentas desse novo mundo, da era digital, podem ser utilizados como auxílio dos tratamentos nas nossas clínicas transculturais. Como intervir preventivamente nas comunidades que podem sucumbir pro consequências de grandes mudanças? Neste momento de pandemia, cuja demanda de casos de problemas mentais cresceu, quais soluções mais sensatas e eficazes poderemos contar?

Interessado? Contato com a CESUSC: https://www.instagram.com/p/CRZkJzYMig3/?utm_medium=share_sheet