As forças contrárias à violência

 

 

#OPoderParalelo arca a retomada, pelo O POVO, de reportagens sobre projetos sociais que contribuem para a transformação do presente e a reelaboração do futuro da vida nas periferias de Fortaleza. São ações, da sociedade civil e das gestões públicas, que significam uma força contrária à violência e a todo estereótipo que as periferias das cidades carregam. As reportagens começaram a ser publicadas em fevereiro deste ano, retratando o Instituto Katiana Pena (Bom Jardim) e o Instituto Beatriz e Lauro Fiuza (Passaré), que oferecem arte e esporte a crianças e adolescentes.

 

O primeiro conjunto de reportagens sobre projetos sociais que transformam a vida, nas periferias da Capital, foi publicado, pelo
O POVO, no dia 18 de fevereiro deste ano. Para ler:

www.opovo.com.br/jornal/dom/2018/02/o-poder-paralelo.html

www.opovo.com.br/jornal/dom/2018/02/os-mundos-de-jefson-o-respeito-que-vem-da-danca.html

 

É possível que os lugares, e não somente as pessoas, tenham sonhos. A Escola de Gastronomia Autossustentável, por exemplo, “era um sonho” do Movimento de Saúde Mental Comunitária (MSMC) do Bom Jardim, expõe o jornalista Eliseu Souza, relações públicas do programa Sim à Vida do MSMC. Aquele lugar, marcado por um Índice de Desenvolvimento Humano “muito baixo”, de 0,19 (em uma escala de 0,0 a 1,0, segundo o Anuário do Ceará 2017-2018, com dados do IBGE), desejava ser sustentável, contrapõe Eliseu: “Se a utopia está na minha frente, eu vou caminhar na direção dela. E começamos a materializar um pouco”.

 

A Escola de Gastronomia, inaugurada em dezembro de 2016, a cinco ruas de onde se ouve dizer que pessoas são decapitadas pela justiça das facções, tem retratado o outro lado do Bom Jardim. “É uma estrutura de desenvolvimento local integrada. É uma ilha de atração e desenvolvimento para a região”, afirma Eliseu Souza.

Sobre o assunto
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O projeto já começou transformando a velha casa da rua Dr. Fernando Augusto, 980. Antes, era um quintal de uma horta comunitária, mantida pelo MSMC, para a produção de ervas medicinais; e também funcionava um pequeno espaço de cultura. A Escola de Gastronomia foi, então, montada a partir de recursos gerados por dois bazares de produtos interceptados pela Receita Federal. Parte do quintal “foi convertido em Escola”, reconstitui o relações públicas do MSMC, e, hoje, a casa, renovada, ganhou ainda um auditório.

 

Uma parceria com o Programa de Gastronomia Social (do curso de Gastronomia da Universidade Federal do Ceará/UFC) e com o Centro Cultural Grande Bom Jardim (ligado ao Instituto Dragão do Mar), além de doações da iniciativa privada, soma o imaterial e o material necessários ao funcionamento dos cursos gratuitos. As aulas são ministradas por estudantes do último semestre da Gastronomia da UFC. Chocolateria, panificação e produção de massas são alguns dos cursos ofertados. Mais de 150 pessoas já foram formadas pela Escola, destaca Eliseu Souza.

 

O perfil dos alunos é, majoritariamente, de mulheres da comunidade que querem investir em um negócio próprio, aponta o jornalista. “Quanto mais pobres, melhor. Mas as pessoas têm que vir e se interessar. Também já tivemos pessoas em tratamento no Capes (Centro de Atenção Psicossocial) comunitário”, inclui. “Para nós, é importante porque elas se reconectam umas com as outras e podem repensar como trabalhar a sua vida”, completa.

 

Muitas conexões são feitas e refeitas a partir da Escola de Gastronomia Autossustentável, entre as pessoas e também com o lugar onde moram. O projeto, que traça uma profissionalização, possibilita a redescoberta de capacidades ao mesmo tempo em que torna coletivos os sonhos individuais. Assim, é um meio de afastar a violência tão próxima, consideram os envolvidos.

 

“As pessoas ganham mais confiança, fortalece sua autoestima, melhora a condição familiar que, normalmente, é muito problemática”, equilibra Eliseu Souza, também mestre em Políticas Públicas. A desestruturação humana torna qualquer comunidade refém de fragilidades. “Então, quando a gente pensa escola de gastronomia, pensa desenvolvimento da pessoa, da família e da comunidade”, conclui.

Ana Mary C. Cavalcante

 

SERVIÇO

 

Escola de Gastronomia Autossustentável do MSMC 

Rua dr. Fernando Augusto, 980. Informações: 3497 0892

 

O Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim foi fundado em 1996 pelo padre e psiquiatra Rino Bonvini junto com lideranças locais. Nos últimos 22 anos, obteve oito espaços, por meio de doações, onde os serviços são oferecidos por convênios e parceiras.

A Escola de Gastronomia Autossustentável já produz para a venda. A especialidade da casa é a “lasanha mamma mia”, uma autêntica receita italiana ensinada pela mãe do padre Rino Bonvini.

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