O imbrólio cultural: política e ideologias

 

 

Já venho enfatizando a tese do fator ideias no bojo da crise social mais grave da nossa história. A carência de pensamentos inovadores para compreender tantas mudanças agrava aquela crise, postergando ações mais eficazes nas tentativas de superá-la.

 

 

Em resumo o argumento central da confusão no campo da política e o seguinte: as ideologias tradicionais encontram-se, por várias razões, enviesadas na nossa experiência histórica. Se as ideias sempre estiveram fora do lugar em nossa formação social, agora mais do que nunca elas se esgarçaram, perdendo suas energias ideológicas.. 

 

 

Tanto o liberalismo perdeu a sua peruca (expressão de Sérgio Weigert) quanto o socialismo não logrou mais utilizar a maquiagem da tradição leninista com um mínimo de agregação social. Ambos se encontram desmoralizados e luz da verificação histórica.

 

 

Por certo, liberalismo e socialismo são ricas  heranças de tradições que não se esgotaram nas vivências e aventuras desastrosas dos capitalismos concretos e dos socialismos reais (mortos ou ainda existentes). Muito há que se interpretar/atualizar naquelas culturas. Mas o campo dessa hermenêutica ainda não está disponível no seio das lideranças tradicionais dos movimentos de referência, como sindicatos e partidos. Tal situação acirra conflitos velhos e novos na exata medida em que é incapaz de dar soluções práticas para os problemas da humanidade. A era virtual também ajuda a aprofundar os abusos sociais. A concentração de renda🔊 trabalho cresce a cada década.

 

 

Essa crise induz a várias armadilhas, uma delas aproveita aos críticos de uma crítica ideologizada, retórica, corporativa, retrógada. Não entrarei na razão dos militantes segundo a qual criticar a esquerda acaba servindo à direita. Utilizo aqui esquerda e direita como retórica na qual os protagonistas se representam e acreditam situar, ainda, a complexidade do processo social.

 

 

Reconheço que a política de crítica à esquerda tradicionalista abre espaços a interesses muitos, de grupos particulares a corporações mais amplas, de teor classista chegando até a ideologias totalitárias. Caiado, Bolsonaro são dois exemplos dessa tripulação embarcada na crítica aos desastrosos governos petistas. Afinal a política não se faz só com abstrações, mas com atitudes práticas.

 

 

De fato as ideias que queiram impactar o mundo deverão se inserir na luta social, disputando novos consensos, redefinindo o senso comum, elevando-o a outros níveis compreensíveis do real. 

 

 

Fala--se em vácuo de lideranças, mas ele é preenchido na falta de conceitos e análises teóricas sobre os descaminhos de nosso desenvolvimento. Na ausência de ideias líderes populistas ocupam os espaços, da direita e esquerda.

 

 

A única luz no túnel passa por um realismo quase cínico. Temos que optar pelo mercado menos excludente e por políticos com menor potencial lesivo no jogo de interesses da corrupção.

 

 

Infelizmente chegamos nessa sinuca de bico da política. Até que novos atores se apresentem com novos conceitos para mergulhos mais profícuos na realidade

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Clean
  • Twitter Clean

Av. Othon Gama d'Eça, 900 - sala 903. Florianópolis SC CEP 88015-240

 Fone: 55 48 33241212