PSICOLOGIA HUMANISTA ORIENTAL


Muito antes de ser apontada e concebida a expressão Humanismo, a China já praticava uma forma de filosofia humanista de vida. É importante compreender, no entanto, que, psicologia e filosofia de vida no oriente, estão diretamente atreladas à filosofia religiosa, ao ponto de ser quase impossível separá-las. Assim, compreender sua filosofia de vida, envolve entender os fundamentos que dão forma a esse modo de viver. O pensador e poeta chinês, Po Chüyi, disse sobre essa integração: “o sábio chinês utilizou o confucionismo para entender sua conduta, utilizou o Budismo para esclarecer seu espírito, e depois utilizou a história, a pintura, as montanhas, os rios, o vinho, a música e as canções para acalmar a sua alma.” (Retirado de A Importância de Viver, de Lin Yutang, capítulo 14) Neste artigo vamos nos concentrar no pensamento do mestre Confúcio. O objetivo deste estudo é verificar a forma de psicologia desenvolvida pela Grande Escola Confucionista para a vida cotidiana e o impacto que a mesma teve em dois períodos, o dos Reinos Combatentes e o atual re-interesse dos chineses e coreanos pela filosofia de vida confucionista.

PSICOLOGIA DA GRANDE ESCOLA

A Grande Escola de Confucionista tinha como objetivo primário o aprimoramento do ser humano como indivíduo e em seu convívio social. Segundo Confúcio, a natureza de todo homem é boa em sua essência, porém, sem a devida educação, alguém poderia vir a desvirtuar-se do caminho (Dao) bom e desenvolver qualidades que o fariam sofrer e aos em sua volta. É a interação entre o conceito de yin-yang, onde os aparentemente opostos se atraem ou se desenvolvem. Nesse caso, ao deixar de cultivar um caminho virtuoso, o homem desenvolverá o seu oposto! A Educação proposta por Confúcio é a base da psicologia de sua Escola. Nesse caso, o educador é psicoterapeuta humanista que terá como objetivo encontrar no aluno-paciente sua boa natureza original. Não se insiste em encontrar ou aprimorar os pontos aparentemente fracos da pessoa, mas, sim, o que ela tem de melhor e mais facilidade para desenvolver. O aluno assume seus pontos fracos e aprimora seus pontos fortes, gerando equilíbrio. Faz bem aquilo que gosta e desenvolve-se naquilo que faz parte de sua natureza básica!

A Filosofia Chinesa baseada em Confúcio tem como aspectos primordiais três fundamentos:

1. Integração do homem com o meio, incluindo a sociedade humana e a natureza;

2. A não-dualidade, onde não se busca o conceito de perdão, o certo e o errado;

3. O auto-cultivo. A integração tem como base o respeito. Forma-se um sistema hierárquico onde o mais novo reconhece a posição elevada do mais velho, porém, mantendo o devido respeito e consideração entre as partes. Se alguém for bom filho, respeitando a experiência de seu pai, certamente será um bom súdito do governo. Desta forma, se todos fizerem sua parte, se cada familiar aprimorar o mútuo respeito, o resultado se refletirá também em um país mais forte e harmonioso. De certa forma, foi esse pensamento que deu fim a um dos períodos mais críticos e sangrentos da China, o dos Reinos Combatentes. Segundo conta a história, Confúcio viajou de reino em reino levando suas ideias e pregando o respeito. Embora nem todos tenham aceito sua ideias, elas, porem, foram plantadas, aos poucos semeadas e germinaram com o fim das guerras regionais.

Por motivos muitos semelhantes, o confucionismo vem tomando lugar novamente entre o povo chinês. Com relação ao respeito, a Grande Escola incentivava que o aluno se aplicasse aos estudos dos Rituais. Esse é um fato curioso, pois, por ritual, não se entende, nesse caso, somente a algo realizado religiosamente, mas, o rito do dia-a-dia das pessoas, das cidades, dos governantes e dos antepassados. O cotidiano. Talvez possamos afirmar, inclusive, que Confúcio forneceu as bases para a Antropologia. E a Antropologia é uma forma de Psicologia do Cotidiano. Rito é algo que a pessoas realizam diversas vezes, repetidamente. Segundo a pesquisa antropológica, a parte mais importante do Rito não é seu conteúdo em si, mas, sua regularidade. E, nesse sentido, o Rito gera segurança a quem o pratica. Confúcio sabia deste fato e incentivava seus alunos a estudarem os costumes para saberem como comportar-se diante de todo o tipo de pessoas e tornar-se, de certo modo, um diplomata. Seus alunos tornaram-se cada vez mais seguros, pois, reconheciam os limi