William Waak: o Dreyfus brasileiro !

O capitão Dreyfus na sua degradação pública.

William Waack é racista? Talvez, tanto quanto eu ou você, que lê este artigo. Racismo, preconceito e discriminação são conceitos que se implicam, embora sejam distintos. A confusão é comum, em grande medida por causa da dificuldade de determinar o alcance e a profundidade que cada um dos termos possui, concretamente, com suas consequências. Faço rápida consulta no Google e dicionários. Já serve.

O racismo diz respeito às concepções do ser humano com ordem hierárquica entre etnias, com pressuposta superioridade de uma delas, gerando hostilidade em relação às outras, consideradas inferiores.

Discriminação refere-se à quebra do princípio da igualdade. Trata-se de distinções por atitudes, preferências, exclusões, com relação a cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso, convicção política, etnia. A lista é maior do que as previsões legais.

Preconceito é a opinião, sentimento favorável ou desfavorável, sem o devido cuidado com a repercussão, produzida por uma experiência particular ou pelo meio cultural, que conduz, geralmente, à intolerância.

Waack é racista? Deixemos que a longa vida pública dele, como professor, escritor, jornalista, responda a essa interrogação. Jamais defendeu a supremacia branca, ariana, ou qualquer tese que implicasse em superioridade de uma etnia em relação a outra. Na vida privada avolumam-se os testemunhos de brancos, afrodescendentes, todos a seu favor. De fato, Waack sempre esteve na companhia de gente boa demais.

Waack praticou discriminação? Em seu comentário inaudível, não se configura tal hipótese, concretamente. O jornalista se vira e faz o comentário sobre um motorista buzinando, distante deles centenas de metros.

Waack agiu com preconceito? Sim, embora seja um exemplo de tolerância, para os que o conhecem. Mas Waack foi descuidado e não pensou nas consequências do que falou, se falou. Já pediu desculpas a todos que se sentiram feridos.

Waack não é judeu mas é acusado de ser um judeu antissemita… Talvez o Grupo Globo não mais tolerasse suas posições, que nunca foram antissemitas, mas críticas às políticas de Israel nos revides à resistência armada, com bombardeios bárbaros e covardes em acampamentos palestinos, trucidando, queimando e soterrando mulheres e crianças entre a população civil.

O linchamento moral de Waack resulta também dos seus posicionamentos políticos na Globo News e nas palestras que proferia Brasil afora. Ele vinha se manifestando de forma excessivamente livre e quase sem disfarce, um comportamento inconveniente para jornalistas nos estúdios da Rede Globo e demais televisoras do Brasil, a não ser que se queira cometer “sincericídio”. Andava assustado com o atraso do Brasil, cuja causa via no fechamento do País à mundialização. Vinha responsabilizando os governos lulistas por isso, porquanto optaram pelo velho modelo agroexportador, abandonando definitivamente o investimento em tecnológica de ponta e o planejamento consequente de políticas industriais. Como é sabido, nossa indústria virou sucata, sem a menor condição de competitividade.

O “escândalo” de William Waack se parece até com o “Affair Dreyfus”. Aconteceu na França, em 1894, quando também se cometeu enorme injustiça. Um capitão judeu, Alfred Dreyfus, foi acusado de espionagem e acabou deportado para a ilha do Diabo, na Guiana, onde permaneceu mais de quatro anos. Continuaria a viver sob intenso ataque em Paris, tendo contra si o exército, a igreja, partidos, a justiça, a mídia. Depois de doze anos nesse inferno, o capitão judeu acabaria reabilitado e reintegrado no exército. Nessa altura seus inimigos já sabiam, com certa decepção, que aquele era um judeu inocente demais para se envolver em crimes de alta traição. Uma diferença: ao contrário do que se passava naquele tempo, hoje os perseguidores são politicamente corretos.